sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Você sabe identificar uma lesão no adutor da coxa?

Sentir uma dor no músculo adutor significa que você sofreu uma lesão aguda nos músculos da virilha na parte interna da coxa. Embora vários músculos diferentes possam ser feridos, os mais comuns são o adutor longo, curto, magno e o grácil.

Estiramentos nessa região refletem na unidade músculo-tendão, devido à contração vigorosa, muitas vezes durante uma carga excêntrica. Esse termo refere-se a uma contração muscular enquanto o músculo está alongando, versus concêntrico, em que o músculo encurta durante a contração. A maior parte do levantamento de peso envolve contração concêntrica.

Imagem: Adobe Stock

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De acordo com a Dra. Ana Paula Simões, ortopedista da Santa Casa, as lesões podem ocorrer na origem muscular ou inserção, na junção músculo-tendão, ou dentro do corpo do músculo da região. Geralmente, ocorrem nesta junção. De forma pouco comum, a lesão do tendão ocorre no local de sua ligação com osso. Estiramentos podem ser graduados de um a três, com base na sua gravidade: Grau 1 – envolve uma lesão leve com algum sangramento, mas sem interrupção significativa da fibra; Grau 2 – envolve lesão das fibras, mas a integridade geral da unidade é preservada; e Grau 3 – envolve interrupção total das fibras levando a uma perda de integridade do tendão. A maioria das linhagens de músculo adutor são de grau 1 ou 2.

As lesões ocorrem durante a contração muscular aguda, como quando chutamos, corremos ou patinamos. Fatores que podem predispor um paciente à lesão e os riscos aumentam com: Esportes envolvendo aceleração, como corrida, futebol e tênis;  Esportes com movimentos repetidos, como artes marciais e ginástica; Falha no aquecimento, alongar incorretamente ou fadiga por uso excessivo; e Despreparo físico, musculatura adutora despreparada.

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Quais são os sinais e sintomas?
Súbito início de dor, às vezes acompanhado pela sensação de um estalo na parte interna da coxa. Incapacidade de continuar a atividade após o início inicial da dor.

História e exame físico são geralmente suficientes para estabelecer o diagnóstico. Os achados físicos incluem sensibilidade à palpação (toque), hematomas na parte interna da coxa e, às vezes, inchaço e calor sobre o local da lesão. Se for um caso mais grave, pode haver um defeito palpável sobre o local da ruptura, embora isso seja incomum.

O teste de amplitude de movimento do quadril geralmente é normal, mas a dor é reproduzida quando o paciente é solicitado a contrair os músculos. Neste caso, pedir ao paciente para trazer sua perna para a linha média (adução da perna) reproduz a dor e é geralmente acompanhada de fraqueza.

Os raios X são quase sempre negativos, mas são apropriados nos casos em que há suspeita no local de inserção óssea ou em atletas/pacientes esqueleticamente imaturos. Em crianças, locais de fixação de unidades de músculo/tendão são vulneráveis à fratura e são mais fracos do que os músculos/tendões.

A RM é indicada em atletas profissionais de elite, nos quais um conhecimento preciso da localização e extensão da lesão pode ajudar na estimativa do retorno à atividade ou, em casos raros, ajudam a identificar quaisquer casos que possam exigir tratamento cirúrgico.

A maioria das lesões musculares adutoras respondem ao tratamento conservador. O tratamento inicial inclui modificação da atividade, que pode incluir, temporariamente, muletas. O gelo e a medicação anti-inflamatória são apropriados para as lesões musculares agudas. À medida que os sintomas melhoram, exercícios suaves de alongamento e fortalecimento são apropriados. Seu médico especialista em esporte pode recomendar um programa de fisioterapia para ajudar com estes exercícios.

A cirurgia para essas lesões raramente é necessária. As lesões por avulsão, em que o tendão é puxado para longe com a sua fixação óssea, podem exigir reinserção cirúrgica. Alguns casos de ruptura completa do tendão do músculo adutor podem exigir cirurgia. O reparo envolve uma incisão aberta sobre o local da lesão e o reatamento da origem do tendão, ou reparo de sutura de tecido. A cirurgia também é necessária em pacientes com dor crônica, cujos sintomas não respondem ao tratamento conservador.

O tempo fora da atividade varia muito com a extensão da lesão. A maioria começa a melhorar dentro de 10 a 14 dias e continuam a melhorar ao longo de muitos meses. Uma lesão severa pode exigir muletas por várias semanas e levar um período de recuperação mais longo. Alguns pacientes continuarão a lutar com sintomas crônicos leves de dor por mais de seis meses.

A maioria (mas não todas) das lesões dos adutores podem ser evitadas através de aquecimento adequado e alongamento antes da atividade. Fortalecimento é fundamental. Se ocorrerem lesões, evite o retorno prematuro às atividades. Treine o gesto esportivo antes para ter certeza que está recuperado!

Ana Paula Simões é Professora Instrutora da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Mestre em Medicina, Ortopedia e Traumatologia e Especialista em Medicina e Cirurgia do Pé e Tornozelo pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé, da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte; e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

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